Mais amor na Escola

Henri vai com o papai para o trabalhinho. Não temos a escola que queremos, mas fazemos dela um lugar em que ficaríamos felizes em deixar nossos filhos.

Nem todos os métodos de coerção são capazes de fazer alguém dar amor. Dê tudo a uma criança... Deixe de dar amor e nada fará sentido.
Exigências institucionais ou o medo da punição podem levar o professor a se esmerar em tudo, mas afastam seu coração da tarefa. Então, Índices de desempenho ou quaisquer indicadores serão inúteis para garantir a qualidade do ensino integral.
Dê ao professor PAZ e não precisará vigiar nada se não quiser.
Mais amor na escola!
foto: @artepatrick
Mamãe: @kellusk

A Bailarina e a asa do avião

Qual a semelhança entre uma bailarina, a asa de um avião e um pedaço de madeira se equilibrando na ponta de uma haste?

Os três não funcionariam sem o conhecimento, ainda que intuitivo, de Física do corpo extenso. 
Os estudantes deram um show de integração da realidade com o conteúdo acadêmico e conheceram a mágica da "leveza" dos dançarinos de Ballet. Depois de analisar detidamente o famoso salto "Grand Jété" filmado com uma super câmera, investigamos por que é que aviões diferentes possuem asas com diferentes inclinações.
Depois de tanta discussão, mãos à obra! Os meninos foram desafiados a equilibrar um pedaço de madeira em uma haste para aplicar as ideias de equilíbrio.
As noções fundamentais da engenharia e suas motivações vão ajudar os alunos a enxergar sentido em tanta informação que são levados a trafegar.
@noseducamosjuntos
foto: @artepatrick
@santoagostinho 

Divertindo-se com a Fisica da Fotografia.

Aprendendo o que é um OBTURADOR de forma divertida.

Nas aulas de óptica aprendemos sobre lentes construindo nossa própria câmera. No processo, conhecemos o tripé da fotografia (ISO, Obturador e Diafragma) para depois aprender a tomar decisões bem fundamentadas na hora de fotografar.
Em campo, com luz abundante e o belíssimo cenário de Inhotim, fomos colocar tudo em prática.
Para que as meninas pareçam flutuar em seu salto, o obturador da câmera abre e fecha bem rapidamente e apenas um instante é capturado.
Saber COMO é muito legal, mas saber POR QUÊ é sensacional!
@noseducamosjuntos
foto: @artepatrick

Quente, frio ou nenhum?

Está quente ou frio?
Os estudantes precisam estudar fenômenos termológicos, mas antes é necessário aprender que nosso tato pode tornar mais difícil acreditar no que estudamos.

Nosso corpo não é capaz de medir temperatura, mas FLUXO DE CALOR. Em um experimento simples (e clássico) uma mão é colocada na água quente e outra na água gelada. Após um tempo, ambas são colocadas em uma terceira vasilha com água à temperatura ambiente. Para a mão que estava na água quente, a água parece gelada, e o inverso acontece com a mão que estava na água fria. Mesmo sabendo que se trata da "mesma água", nossos sentidos ainda nos enganam.
Outro experimento simples consiste em tocar metais, madeira e pedra, tentando adivinhar sua temperatura. Em seguida, medimos tudo com o termômetro para descobrir que na verdade estava tudo à temperatura ambiente.
No final das contas, achamos que é mais frio aquela superfície ou fluido que rouba calor da gente mais rapidamente, e não o que está realmente mais "quente" ou "frio".
@noseducamosjuntos
foto: @artepatrick

Aula e escultura! Por que não?

"Professor, duvido que você consegue dar a aula e fazer uma escultura em areia mágica ao mesmo tempo!".

DESAFIO ACEITO!
E aí está nosso cachorrinho mascote na Selfie.
Mas essa areia não é mágica à toa, e nem foi trazida à sala de aula para qualquer deformação. Ela foi trazida para reproduzir um experimento do Séc. XVIII que praticamente resolveu um grande debate da época sobre a dependência entre a velocidade e o que veio ser chamado "Energia Cinética".
Aprender? Com certeza... Divertir? Por que não?
@noseducamosjuntos
foto: @artepatrick

A gente aprende no caminho


Nem nos damos conta de quanto aprendemos em cada experiência durante a "espera". A troca de horário, a porta da sala no retorno do intervalo e o ônibus a caminho daquela excursão são momentos perfeitos para a experiência personalizada. Sem lugar marcado, fala pronta ou hora certa cada menino escolhe a sua experiência. É então que ele se torna menos aluno e mais menino. Longe dos vigilantes muros da escola ele vê o professor assentado (sim, ele assenta!) e repara que seu sapato está gasto (quanta humanidade). Sentindo-se tão semelhante, até surge a coragem de uma pergunta pessoal: "professor, você já fumou?". E é em cada momento desses é que uma educação verdadeira pode surgir.
Vamos cuidar bem do caminho!



Quanto aprendemos de verdade?

Quantos de nós se lembra dos conteúdos "transmitidos" por toda a nossa infância na escola? Milhares de horas-aula e que conteúdo somos capazes de reproduzir agora?
Mas se a pergunta for "quanto aprendemos?", então temos muito a contar...
É momento de cuidar mais de cada experiência, escolhendo-a bem e fazendo durar. Mais qualidade no essencial para que ele não se perca em tantos detalhes.
Se os adultos tivessem que fazer uma prova 15 anos depois de sair da escola, veríamos quanto detalhe se perdeu e nem por isso deixaram se ser felizes. A escola treina o aluno, ele faz a prova e esquece. E se a escola entrasse no hacking de quem está preso, se deu mal ou virasse mal caráter? E se o rancking das melhores escolas contivesse em seu algoritmo um "fator-idade-adulta" com direito a prova muitos anos depois que o alunos saíssem da escola? Será, então, que finalmente gastaríamos nossa energia em criar estratégias para fazer nosso ensino alçar vôos mais altos que a prova final em dezembro?
Vivemos em um País em que punimos quem não sabe resolver uma equação de segundo grau mas mantemos solto aquele que escravizou um ser humano tomando o dinheiro de seu trabalho.
Vamos repensar!

@noseducamosjuntos
foto: @artepatrick

Dia Sem sapatos na escola


Impressionante como é poderosa a simples experiência de tirar os sapatos...
No "dia sem sapatos" a escola inteira se
solidariza com quem não tem o que calçar e passa o dia descalço, do diretor aos alunos. Os sapatos velhos ficam na entrada em uma instalação interativa (um sapato gigante feito de... Sapatos).
Em sala de aula os pés no chão criam uma atmosfera surreal!
Por mais simples que possa parecer, ver um professor descalço é inexplicavelmente nivelador. Independente das roupas que nos expõem ou revelam, o chão é o tato comum inevitável. Todos pisam nele.
Pisar sem sapato na escola em passamos quase todas as nossas manhãs é como comer pela primeira vez uma fruta de uma árvore que sempre foi enfeite.
Em minha infância eu frequentava uma escola que tinha um lustre fixado no teto do auditório. Estava ali, sempre pequeno, lá em cima, intocável. Até que um dia a equipe da manutenção o trouxe para o chão. Só um dia sem sapatos para me fazer sentir inexplicavelmente ridículo por tocar pela primeira vez algo que sempre esteve ali e que de repente é tão cativante.
Os humanos de verdade precisam ser seduzidos para a educação e para os serviços de liderança até que não seja surpresa uma história como essa.
Parabéns @santoagostinho
Reverência, Aleluia Heringer







Inovar, perder e ganhar

Alunos de escolas inovadoras podem pagar um preço pelas gerações que virão. Mas que geração não se sacrifica pela geração seguinte?

As boas ideias precisam ser cuidadosamente transformadas em ação. Precisamos de detida análise dos possíveis desvios e desdobramentos de cada etapa, prevendo dificuldades e pensando em contornos. Além disso, como não dispomos de mais tempo de sala de aula em função de boas ideias, teremos sempre que substituir uma estratégia testada e consolidada por uma novidade – o número de horas aula de que dispomos para cumprir o conteúdo não vai variar conforme nossa vontade de fazer melhor.

Aquela tradicional sequência de ensino do livro didático que está em sua 14a edição é algo que tem “funcionado”. Mesmo que os alunos acabem se esquecendo do que aprenderam antes mesmo que o ano se acabe, aceitamos o modelo de ensino atual desde que eles ao menos consigam se lembrar do que aprenderam até a hora da prova. Para esta exigência nossos modelos atuais são razoáveis. Mas se for para preparar nossos meninos para o mundo em que virão nos próximos 50 anos, então precisamos de séria reestruturação (sabemos disso há anos).

Reestruturar o ensino nas escolas é um processo que se assemelha a consertar um carro em movimento ou realizar uma cirurgia em órgãos vitais. Não podemos parar tudo até que estejamos prontos. Além disso, Escolas são instituições-negócios de milhões de reais que não podem ser colocados em risco por um ideal sem patrocínio – sejamos realistas.

Outro elemento que assusta até os mais criativos é o fato de que lidamos com gente (!). Parece óbvio, mas é importante lembrar-nos de que planejar o ensino não é o mesmo que planejar uma construção. Alunos não são tijolos. Durante todo o processo nos surpreendemos com a necessidade do improviso. O educador julga que algo será o ponto alto de sua ação, então os alunos de repente se interessam pela parte da aula que foi gerada no improviso. Em certa aula falávamos sobre Fontes de luz, observamos todo o espectro visível, manuseávamos diferentes lâmpadas e demonstramos várias propriedades da luz e do olho humano. Contudo, os alunos ficaram realmente interessados em ver como o protetor solar que o professor sempre trazia para a escola criava sombras em qualquer superfície iluminada pela luz negra que estavam manuseando. Sim, o protetor solar que eles têm em casa e às vezes não usam por preguiça agora será item obrigatório de proteção da pele por que não vão se esquecer daquela demonstração! “como eu não pensei em explorar isso melhor quando planejava a aula?”.

Às vezes o que dá mais certo em um projeto é justamente um detalhe improvisado ou algo que sequer estava no script. Aliás, o improviso dentro de uma proposta bem estruturada é um excelente indicador de que ela é viva! Aulas / sequências de ensino excessivamente estruturadas podem pecar pela dificuldade do envolvimento, já que seu ritmo não leva em conta a energia psíquica da turma (que é algo extremamente difícil de prever ou manipular e ainda essencial no processo de ensino e aprendizagem).

Por tudo isso, a primeira vez de algo novo quase sempre gera grande material para se fazer melhor na próxima vez. Do ponto de vista administrativo (escola-empresa) isso é fabuloso. Uma empresa que vai mal e está crescendo é um ativo melhor que uma empresa que vai bem e está em declínio. Definitivamente estamos falando de um crescimento quando nosso ensino melhora em qualquer aspecto.

Mas o aluno que se submeteu ao “teste” não será alcançado pela melhora processual, já que estará na etapa (série) seguinte sendo agente/paciente de outra experimentação em outra área/tópico/matéria. É comum ouvir de alunos: “Ah, professor, em minha época não tinha isso. Eu queria ter tido essa experiência também”. As centenas de meninos que tiveram aquela aula de óptica sem a parte do protetor solar não voltarão mais...

Daí a crítica (compreensível) dos pais que desejam ver resultado imediato do capital investido. “Não quero que meu filho veja um conteúdo menor por que passou metade de uma aula passando protetor solar”, diria um pai aflito pelas aulas de Óptica Geométrica que demoraram a começar. “Se for fazer diferente, que funcione já!” – desejam todos eles. Não podemos culpá-los de não querer financiar a educação nacional com o capital chamado paciência.


Quantos computadores antigos e celulares de baixa tecnologia precisaram ser comprados por gerações e gerações até que o pai/aluno de hoje possa comprar seu SmartPhone por menos de 10% do que já se pagou por muito menos? Quanto se ganhou trocando a palmatória pela obrigatoriedade do envolvimento do aluno através da afetividade? Não foram todos esses progressos processuais? Não foram todos esses ganhos resultados de gerações “cobaias”? E não foram aqueles mesmas, as gerações “cobaias”, beneficiárias do aprendizado da que as antecedia?

Só poderemos lograr grande sucesso se tratarmos a educação como processo. Tentar colher os frutos de uma grande ideia no ato de seu estabelecimento é como tentar viver das mangas de um pé que acabamos de plantar.

Além disso, se mudamos o foco e não mudamos os indicadores, é claro que o resultado numérico vai indicar queda de eficiência. Se o foco de uma empresa de fabricação de carros é melhorar o design mas seu teste de desempenho da equipe continua sendo a velocidade máxima atingida na pista, o dinheiro investido em pesquisa vai parecer mal utilizado nos indicadores. Do mesmo modo, se a prova que vão fazer no final da etapa é a mesma dos anos anteriores, com as mesmas perguntas, então como medir toda a experiência vivida para sempre em cada troca inesquecível em sala de aula? Como estimulá-los a fazerem as próprias perguntas se existe uma, e somente uma resposta para as “perguntas certas” que terão que aprender a fazer?

Como já dizia Einstein, se quisermos que nosso legado enquanto humanidade sobreviva às mortes de seus indivíduos, precisaremos dar mais atenção ao trabalho daqueles que transmitem o legado de uma geração à outra e promovem melhoras. Estes são Pais, avós, professores e mestres de toda natureza. Investir na educação é investir na humanidade.